FERNANDO BRITO ACUSADO PELO MPF DE COMANDAR GRUPO CRIMINOSO COM FINALIDADE DE DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS

 FERNANDO BRITO ACUSADO PELO MPF DE COMANDAR GRUPO CRIMINOSO COM FINALIDADE DE DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS

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Ação do Ministério Público Federal descreve suposta atuação coordenada entre agentes públicos, empresas e sócios formais; investigação aponta movimentação de R$ 9 milhões e cerca de R$ 6,5 milhões sem destino claramente identificado

Em primeira mão, o Blog O Verdadeiro teve acesso à Ação Civil Pública por Improbidade Administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), que aponta a existência de uma suposta estrutura responsável por fraudes em licitações, direcionamento de contratos públicos, ocultação patrimonial, movimentações financeiras suspeitas e prejuízo superior a R$ 845 mil aos cofres públicos de Santa Luzia.

Segundo o MPF, os fatos investigados ocorreram entre os anos de 2017 e 2020 e envolvem contratos custeados com recursos federais. A investigação foi conduzida pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), e resultou em uma ação que descreve o que os procuradores classificam como uma estrutura organizada para obtenção de vantagens em contratos públicos.

Entre os citados na ação estão o atual prefeito de Santa Luzia, Fernando Schueler Brito, o atual secretário municipal de Administração, Gervásio Correia Cruz Filho, além de Korbulon Farias Procópio e Villi Guimarães Ferreira.

MPF APONTA FERNANDO BRITO COMO FIGURA CENTRAL DA INVESTIGAÇÃO

Um dos pontos mais contundentes da ação é o papel atribuído pelo Ministério Público Federal a Fernando Schueler Brito.

Segundo o MPF, ele exercia posição de comando dentro da estrutura investigada e seria o principal elo entre o núcleo político-administrativo e as empresas envolvidas nos contratos analisados.

A ação sustenta que empresas registradas formalmente em nome de terceiros eram utilizadas para participar de licitações, receber pagamentos do poder público e movimentar recursos oriundos dos contratos públicos.

De acordo com os procuradores, os elementos reunidos ao longo da investigação apontam para a existência de uma estrutura organizada e permanente, composta por agentes públicos, empresários e pessoas que figuravam formalmente como sócias das empresas investigadas.

O MPF afirma ainda que Fernando Brito seria o verdadeiro controlador de empresas que apareciam oficialmente em nome de terceiros, tese sustentada por análises bancárias, registros empresariais, depoimentos e documentos reunidos durante a investigação.

INVESTIGAÇÃO APONTA TRÊS NÚCLEOS DE ATUAÇÃO

Segundo a ação, a estrutura investigada era dividida em três núcleos.

O primeiro seria o núcleo político-administrativo, formado por agentes públicos que ocupavam posições estratégicas na administração municipal.

O segundo seria o núcleo empresarial, composto pelas empresas que participavam das licitações e celebravam contratos com o município.

Já o terceiro núcleo seria formado por pessoas que apareciam oficialmente como proprietárias das empresas, mas que, segundo a investigação, não seriam os verdadeiros controladores dos negócios.

Para o MPF, essa divisão permitia ocultar os beneficiários finais dos contratos públicos e dificultar a atuação dos órgãos de controle.

PRIMAX É APONTADA COMO PRINCIPAL EMPRESA DA ESTRUTURA

A empresa que mais aparece na investigação é a Primax Comercial de Produtos de Higiene e Conservação Ltda.

Segundo o MPF, a empresa movimentou aproximadamente R$ 9 milhões durante o período analisado e aparece como uma das principais beneficiárias dos contratos investigados.

Também são citadas na ação a Comercial de Gás Santa Luzia Ltda, a A G de Souza Eireli (San Lock Serviços) e a Unitech, empresas que, segundo os investigadores, mantinham relações financeiras e operacionais entre si.

O Ministério Público sustenta que essas empresas funcionavam de maneira integrada e faziam parte de uma mesma estrutura empresarial.

EMPRESA MILIONÁRIA SEM FUNCIONÁRIOS E SEM ESTRUTURA OPERACIONAL

Um dos pontos que mais chamaram a atenção da Polícia Federal foi a suposta incompatibilidade entre os valores movimentados pela Primax e a estrutura apresentada pela empresa.

Segundo depoimentos citados na ação, a empresa não possuía funcionários registrados nem estrutura operacional compatível com contratos que movimentavam milhões de reais.

A investigação também menciona diligências realizadas em endereços ligados às empresas investigadas e aponta situações consideradas incompatíveis com o porte dos contratos públicos firmados.

O MPF afirma ainda que alguns endereços empresariais possuíam ligação com imóveis relacionados à família Schueler, fato que também passou a integrar a linha investigativa.

DEPOIMENTOS SUSTENTAM TESE DE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS

Os depoimentos colhidos pela Polícia Federal ocupam papel importante na ação.

Segundo o MPF, informações prestadas por Korbulon Farias Procópio e Villi Guimarães Ferreira, além de outros investigados ouvidos durante a apuração, foram utilizadas para confrontar dados financeiros, registros empresariais e movimentações bancárias.

A ação destaca que Villi Guimarães Ferreira recebeu Auxílio Emergencial durante o período investigado. O processo também menciona situações envolvendo pessoas que declararam rendimentos modestos ou até ausência de emprego formal.

Para o Ministério Público, essas circunstâncias seriam incompatíveis com a condição de proprietários de empresas que movimentavam milhões de reais em contratos públicos.

Com base nesses elementos, os procuradores sustentam a tese de utilização de interpostas pessoas, conhecidas popularmente como “laranjas”.

HILUX E PATRIMÔNIO SOB INVESTIGAÇÃO

Outro ponto mencionado nos documentos é a existência de uma Toyota Hilux vinculada à Primax.

Segundo depoimentos e informações citadas na ação, o veículo seria utilizado por Fernando Brito, apesar de estar relacionado à empresa investigada.

O episódio é citado pelo MPF como mais um elemento utilizado para sustentar a tese de confusão entre patrimônio empresarial e interesses particulares dos investigados.

R$ 6,5 MILHÕES EM MOVIMENTAÇÕES SEM DESTINO CLARAMENTE IDENTIFICADO

A parte financeira é considerada uma das mais relevantes da investigação.

Segundo laudos periciais mencionados pelo Ministério Público Federal, foram identificados aproximadamente R$ 6,5 milhões em movimentações financeiras sem identificação clara do destino final dos recursos.

Além disso, a investigação aponta transferências entre empresas e pessoas ligadas ao grupo investigado.

Para os procuradores, essas operações indicariam mecanismos de ocultação patrimonial e dissimulação financeira destinados a dificultar o rastreamento do dinheiro.

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS APARECEM NA AÇÃO

Além de Fernando Brito, a ação também cita Gervásio Correia Cruz Filho, Korbulon Farias Procópio e Villi Guimarães Ferreira.

Segundo o MPF, Gervásio integrava o núcleo político-administrativo investigado e participou de procedimentos relacionados aos contratos analisados.

Já Korbulon e Villi aparecem na investigação ligados à estrutura societária da Primax e de outras empresas analisadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Os nomes dos três são citados em diferentes momentos da ação como parte do conjunto de pessoas que, segundo a acusação, participavam da estrutura investigada.

PREJUÍZO AOS COFRES PÚBLICOS ULTRAPASSA R$ 845 MIL

Com base em auditorias e perícias realizadas durante as investigações, o MPF afirma ter identificado um sobrepreço médio de 31,13% nos contratos analisados.

Segundo a ação, o prejuízo estimado aos cofres públicos chega a R$ 845.356,08, valor atualizado que o órgão busca ressarcir por meio da ação judicial.

O QUE O MPF PEDE À JUSTIÇA

Na ação protocolada na Justiça Federal, o Ministério Público pede a condenação dos investigados por atos de improbidade administrativa, além do ressarcimento integral dos danos causados ao erário, aplicação de multas e demais sanções previstas na legislação.

O órgão sustenta ainda que os fatos investigados não foram alcançados pela prescrição e permanecem passíveis de responsabilização judicial.

Além da ação de improbidade administrativa, os mesmos fatos também são objeto de processo criminal que apura supostos crimes de fraude à licitação, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.

O Blog O Verdadeiro ressalta que todas as informações desta reportagem foram extraídas de documentos oficiais da Justiça Federal, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Os citados possuem direito à ampla defesa e ao contraditório, não havendo condenação definitiva até o momento.

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O Verdadeiro

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