MORTE DE EMPRESÁRIA DE 31 ANOS APÓS CIRURGIAS PLÁSTICAS EM ILHÉUS ACENDE ALERTA SOBRE SEGURANÇA EM PROCEDIMENTOS ESTÉTICOS
A morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, em Ilhéus, no sul da Bahia, chama a atenção para um tema que precisa ser tratado com seriedade: os riscos envolvidos em cirurgias plásticas e a importância de uma avaliação rigorosa antes de qualquer procedimento.
Adriele, que segundo familiares morava nos Estados Unidos havia aproximadamente cinco anos, teria retornado ao Brasil durante um período de férias para realizar procedimentos estéticos. Ela foi atendida no Hospital Vida Memorial, em Ilhéus, onde passou por uma série de intervenções cirúrgicas.
As informações divulgadas até o momento apresentam diferenças quanto à relação exata de procedimentos realizados. O Bahia Notícias informou que familiares relataram lipoescultura, abdominoplastia, enxertia de glúteos e mastopexia com prótese. Já o Aratu On mencionou mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma.
Segundo relatos da família publicados pela imprensa, Adriele deu entrada no hospital na segunda-feira (25) e morreu durante a madrugada desta quarta-feira (26). Até o momento, não foi divulgada oficialmente a causa da morte, e as circunstâncias do óbito deverão ser esclarecidas por exames periciais e pelas investigações.
Médico citado no caso já foi alvo de denúncias
Os procedimentos teriam sido realizados pelo cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback.
O nome do profissional voltou a repercutir porque, em 2023, pacientes fizeram denúncias públicas envolvendo supostas complicações após cirurgias realizadas por ele. Na época, os casos foram levados às autoridades e ganharam repercussão nacional. Reportagens daquele período relataram investigações e denúncias de pacientes.
É importante, porém, fazer uma distinção: as denúncias anteriores não comprovam que tenham qualquer relação com a morte de Adriele, e também não permitem concluir, neste momento, que houve erro médico no caso atual.
Na época, a defesa de Rossini negou as acusações relacionadas à realização de procedimentos sem anestesia e afirmou que o médico não havia sido condenado judicialmente por conduta médica.
O próprio profissional se apresenta atualmente como cirurgião plástico, com CRM-BA 22185 e RQE nº 13817, e informa em seu site que é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
O alerta que fica para quem pretende fazer uma cirurgia
Independentemente do que a investigação apontará sobre a morte de Adriele, o caso serve como um alerta: cirurgia plástica não é um procedimento simples ou isento de riscos.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta que o paciente conheça detalhadamente os riscos envolvidos, converse com o cirurgião e tenha acesso a informações claras antes de assinar o termo de consentimento. Entre as possíveis complicações estão sangramento, infecção, problemas de cicatrização, riscos anestésicos, trombose e complicações cardíacas e pulmonares.
Outro ponto que merece atenção é a realização de múltiplos procedimentos em uma mesma cirurgia. O Conselho Federal de Medicina vem discutindo parâmetros de segurança relacionados justamente ao tempo cirúrgico e à associação de procedimentos, destacando que cirurgias prolongadas podem aumentar riscos anestésicos, metabólicos e cirúrgicos.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também destaca que cirurgias combinadas exigem cuidados adicionais e que o procedimento deve ser realizado em ambiente adequado, com estrutura e equipe preparadas para possíveis intercorrências.
Antes de marcar uma cirurgia, faça perguntas
Quem pretende realizar uma cirurgia plástica deve evitar tomar a decisão apenas com base em fotos de resultados, seguidores nas redes sociais ou promoções.
Entre os cuidados recomendados estão:
- verificar se o médico possui registro profissional e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica;
- pesquisar a formação e experiência do profissional;
- confirmar se o hospital ou centro cirúrgico possui estrutura adequada e autorização para realizar o procedimento;
- perguntar quem será responsável pela anestesia;
- entender quais procedimentos serão realizados, quanto tempo a cirurgia poderá durar e se realmente é seguro combiná-los;
- conhecer os riscos específicos para o próprio quadro de saúde;
- perguntar como será o acompanhamento no pós-operatório;
- buscar uma segunda avaliação médica quando houver dúvidas ou quando a cirurgia proposta for extensa.
A própria SBCP recomenda que o paciente pesquise antes de decidir e escolha um cirurgião devidamente qualificado. (cirurgiaplastica.org.br)
Uma vida interrompida e muitas perguntas ainda sem resposta
A morte de Adriele causa comoção entre familiares e amigos e deixa uma série de questionamentos que ainda precisam ser respondidos pelas autoridades.
O que provocou a morte? Houve alguma complicação durante a cirurgia ou no pós-operatório? Todos os protocolos de segurança foram cumpridos?
Neste momento, essas perguntas permanecem sem resposta oficial.
O Hospital Vida Memorial e o médico citado ainda não haviam apresentado, até a publicação das reportagens consultadas, esclarecimentos públicos sobre as circunstâncias da morte. O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos.
O caso deverá ser investigado, e somente a apuração técnica poderá determinar o que de fato aconteceu.
O alerta, entretanto, já fica: quando o assunto é cirurgia plástica, beleza e estética jamais devem estar acima da segurança.